ABISMO
ABISMO
por Margarida Cimbolini
nunca tão grande
movediço
querendo não ser
quebranto infinito
da sombra que sei não se ver
esquizofrénica avenida
sem começo sem fim sem partida
só avenida
vida para mim perdida
no meio da real dimensão
chegada
sem bilhete de ida
língua estranha
casa sem cama
angústia
vertigem de vontade
caprichosa cidade
saltar
no remoinho do caos
perdendo identidade
franquear a idade
nunca ouvir nada mais
e a poesia que fique
vá o barco longe deste cais
que o capitão licite
e no leilão
vai vencer o que der mais



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