Abissal sem fim

na madrugada templo do amor
enlouqueço
sinto teus dedos na minha pele
não sou mais do que isso
somente corpo
língua olhos pêlos
que se enroscam em novelos
desvendam o pudor do mundo
somos deuses num segundo
um só no sol que dentro de mim
amanhece no teu verso
instantes onde mergulho
beija-me possui-me uma e outra vez
até que do céu veja o cume
e me esvaia em altivez
abissal sem fim
tua semente apavora este oceano
chora meu corpo no teu abraço
aqui sou feliz

Margarida Cimbolini

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