SOMBRA
SOMBRA
sou sombra de fumo e de nevoeiro
e por mim espero sentada nesse banco
onde antes de mim ficou minha alma presa
quando sendo um dia uma qualquer
me sentei num banco de uma rua
e nele me espraiei branca e nua
esperando na cadência de meus passos
outros passos ressoando na calçada
morri com a morte desses astros
que davam luz há luz dessa tal rua
caminho agora sem saudade
pois faz minha alma a caminhada
calma inquieta serena e sozinha
e já não sou sombra de nada
pois da sombra tirei escolhos e sargaços
e do banco fiz minha guarida
e passo a passo desgarrada me faço aos caminhos desta vida....
Margarida Cimbolini



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