ESCADINHAS
Escadinhas
e só eu sei quanto amor tinha guardado
para assim andar aí espalhando
e ficar assim de novo vazia
passando no buraco dessa agulha esguia
subindo e descendo a íngreme escada
com passos escorregados
a minha cidade estranha-me
não reconhece os meus passos
e atrapalha-me tentando decifrar-me
faz-me cair e tatua-me nas pernas o seu beijo
como a dizer-me quem sou eu agora
e que não devo continuar
ignoro-a
esqueço o seu desvelo os seus cuidados
a forma como nas minhas íris punha a luz do caminho
e continuo
Vou na ilusão do incêndio que persigo e que apago com vinho
pois que a água com a sua claridade me assusta...
,,deixando-me demasiado lúcida..
conheço bem as escadas muitas foram as vezes em que fiz o caminho de volta
não devo portanto perder-me..
Mas posso magoar-me mais....agradeço á cidade..
ela sabe o quanto a amo
mas continuo
Não sou de desistir....mas passou muito tempo..
Nem sequer me interrogo.....há uma leve hesitação nos passos
Talvez confie demasiado em mim..
Continuo após breve paragem num canto improvável,,,,, o único possível
subo e desço mais algumas escalas num delírio surreal
Indignados os meus pés... quase apagado o sorriso
acabo reacendendo o incêndio com mais álcool
mas não retiro as tatuagens sobem pela perna até ao coração...
Adormeço cansada quase sem historia descrevo-a agora com alguma melancolia..
,,,,,e só eu sei quanto amor tinha guardado....
Margarida Cimbolini



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