CABIDE DE CARNE


Cabide de carne

visto-me de tempestade
ouço as canções dos piratas
musica infinita
que me torna eterna a cada som
cada som uma farpa alargando a ferida
maldita sensibilidade
que me engana
constante e mentirosa
na procura do que não existe
até dos sons inventa musica
dos passos inventa danças
a um ritmo que só eu ouço
e me chamam louca.....
quando danço
a isso ela me obriga
espada de dois gumes que me ordena viver
e me nega a vida
vida que escapa das plantas se evola do animais
vida que nas baratas corre lesta
e em mim cada vez mais a tempestade ...resta
e me deslaça assim um dia..... sendo nada
só estranha desesperada
e no outro rindo de mim.....animada
sensibilidade desalmada
acabarei na pocilga comendo porco
acabarei na sarjeta sendo esgoto
a cada dia maior o trabalho de esculpir este corpo
cabide de carne
no fim desta idade deste tempo ...
,,,,qual será ainda o meu tormento....

Margarida Cimbolini.

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