IR

Ir
Saí por aí
A ver a vida passar
Mas o que vi
Ainda me fez mais pensar
Fazia frio
Um frio de Inverno
Um frio sem Sol
Um frio tão frio
Que parecia eterno
Rompi amarras
Andei há deriva
E vi pessoas com garras
com grandes bicos cobiçosos
com pequenos olhos ávidos
Invejosos
Pessoas. todas iguais
Seguindo sempre em frente
Um ou outro caminhava sorrindo
sonâmbulo impenitente
talvez o mais humano
por inconsciente
Homens sem cor
Mulheres com vozes de tenor
E com enormes dentes
Senti -me enfartada
E eu gosto das gentes
Mas de gentes livres
não presas numa liberdade apregoada.
Cada vez vou menos por aí a ver a minha cidade tão linda tão antiga e delicada
Sinto -a a chorar magoada
Também eu mudei
Talvez a fosse sempre assim...
e corresse também atrás
do meu nada..
Esperando um milagre..um rei...um amor..Uma fada...
Agora só me espero a mim
Estarei como a cidade! ?
Dormindo nas asas do passado esplendor..
Irei sim..irei quando farta de mim
e numa praça num Jardim
Irei colher jasmin a perfumar a cidade inconformada....

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