ESPIGAS NO TEMPO
Espigas no tempo
muito escrevo pouco digo
guardo prá mim estes versos
pois são eles o meu castigo
são da medalha o reverso
dos anos que passei contigo
a uns rebentam os lábios
e outros comem o figo
não vi génios e nem sábios
mandei embora os amigos
amores vieram e foram
de estar só eu não me queixo
mas as peneiras só coam
os grãos de trigo que eu deixo
muitas cearas mondei
tu sabes como divago
e se espigas desfolhei
retribuí bago a bago
e por serem versos tristes
ficam nas dobras do tempo
a meu lado tu bem vistes
o meu pudor de lamento
meu amor vamos embora
leva-me a ver o mar
conto ano mês e hora
e não me vejo a chegar
margarida cimbolini
in alinhavos de amor
inéditos



Comentários
Enviar um comentário