FENDAS

FENDAS


fenda nas marés onde me solto
abre-se fenda em peito morto
gesticula alma ferida
procurando reduto nóutro porto
neste reina ainda um sopro
um sopro um hálito de vida
morta  de conluio com a morte
trocarei passado por tempo
e ao tempo darei tempo
e da vida nascerei viva
escarnece a morte de saída
de como eu creio em mim se espanta
pois que da vida tirei geométrica rampa
e assim me iço com grua e empunho lança
e desta porta arranco esta tranca
com os dentes rasgo a fenda
e a maré desanca
solto de novo o meu rei e o meu povo
com nova cruz meu corpo alanca
no peito semeio leite
nas ancas abarco dança
e a música bate tranca
é amor vivo  é luz  o alimento
o ardor com que peço
da fenda saio nem pecadora nem santa
pronta a tombar de novo e rastejando
remoendo sair com sangue lágrimas e esperança...

margarida cimbolini

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