MANTO
manto
cobre-me agreste manto
não de frio
de muitos medos desamor
espanto
sou desespero manso
nas lágrimas encontro doçura
tratou-me talvez a vida
com infinita brandura
da vida escolhi á vontade
colhi cerejas e beijos
deixando escorrer o amor
certo que descontente
fazia perguntas ao mar
que em nuvem corria solto
punha luar nos meus olhos
sussurrava-me doçuras
apenas a morte um dia
,,,,,colheu
de mim amarguras
mesmo assim ficou guitarra
e ficou o largo azul
que em quentes desgarradas
cantava prá mim no vento
bailando com um a norte
tecendo rendas a sul
ingrata que fui com a vida
querendo-a sempre mais vivida
vejo agora encruzilhada
de mim não depende nada
e é o sangue que chora
e lavo o sangue com água
,,,,mas a ferida aberta chora
e nem luar nem aurora
tiram de mim esta dor dia a dia mais rasgada..
Margarida
Cimbolini.



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