DESATO-ME

desato-me
rompo costumes antigos
corto grilhetas aos pés
não é manso o meu caminho
vou e venho nas marés
há dias em que o mel corre
para adoçar minha boca
há dias desventurados
em que sou frágil e pouca
tocam ás vezes tambores
outras vezes oboés
teço mil pensamentos
embaraço os intentos
acho-me em ruas sem fim
desconheço-me e afronto-me
.
Jogo comigo e perco sempre.......
Mas sou mulher e estou presente!
Nunca faltei há chamada!
..........mas que pesada me sinto....
e tão cansada...
Eis que me olho no espelho.....
Num átomo de lucidez!
Vejo -me toda ajoujada !
Há volta tenho serpentes
e.nos pulsos grossas correntes..
E assim me acho deitada........
..... como se não houvera vento .....
pra me tornar alada..!
Desato -me..........
.....dispo esse abraço apertado
pernas pra vida e de um salto...
........mergulho na fantasia....
Solta e livre o céu alcanço..
Foi a melancolia com esse seu falso encanto......
.......que por vezes com mestria...........
...vem roubar -me a poesia.....
e assim me deita este quebranto..
-------------------------------------.vá de retro satanás....
Pois aqui vive a maresia... e o mar quando lhe apraz....

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