VENHO

Venho
no desespero da música
que já não toco
no suspiro
do que não tenho
cada acordar mais duro
no desejo da noite
cada noite
sendo sempre a ultima
culpada de não ser dia
mãos e pés atados
painéis feitos de beijos
perfumados de alecrim
no palco e descalça
olhos piscos no Sol.
guardar o meu rebanho
de lesmas e lamurias
sempre a mesma peça
onde me clono
receio por mim
fim
Margarida Cimbolini

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