ENDECHAS A JERUSALEM

Endechas a Jerusalém
hoje atalhei
cansada de errar no deserto
tinha muita sede
biografias da água pesavam
ensopados em pó de areias finas
deixei-os tombar
era água o que queria
não ouro não recitações
não retóricas ,,, nada
dias e dias errei pela filosofia
carreguei tratados e magistrados
revolteei em aramaico
sonhei ser flecha tornei-me arco
por pouco me perdia
não há mapas no deserto
apenas sabedoria
e miragens confusas e abstractas
envoltas em neblina
nuvens pesadas e fortes mas compactas
nuvens que não desabam nunca
a cabeça sonhava frescura
a garganta ardia seca e dura
então sentei´-me dormi e sonhei
breve e a espaços algo em mim se soltava
confiei....pousei o corpo e a sede
e simplesmente no vai vem da vida respirei

Margarida Cimbolini

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