NA LAMA
na lama
Ferida na terra
redonda de lama
lança afiada
cama
cama mascarada
rasgada na terra
ninho morto de pássaro caído
passeio moído
corroído
sangra
cheira a cheiro de mulher cansada
fede
a vida arrastada
no chão a roupa caída atirada
alastra
a ferida rasgada
quantos alargam a ferida alagada
todos os que espreitam
os que estreitam
os que lançam a pedrada
todos os malditos
que gritam seus gritos
gritando por nada
os que calam aflitos
escondendo a cara lavada
mudos de gritos
feitos de nada
cobardes calados de cara tapada
gemem por dentro afiam a garra
e vai a vida arrastada alargando a ferida rasgada por tudo por nada...
Margarida Cimbolini



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