FUNERAL

Funeral
simplesmente morte
na ida um sono que balbucia norte
sombras de tristeza
embalsamada dureza
uma frieza nos dourados da capela
.a mãe segura a mão da menina.
ouvem em silencio a homilia
.missa de corpo presente.
o meu corpo balança e chia
.a menina pequena não sei se sorria.
.............................esqueci-a
eu sim eu quando em pé quase tombava
seguia as sombras vagas e sentava e levantava
e murmurejava não sei bem o quê
fazia o sinal da cruz.. como sem som e sem dedos
o cheiro a velho ...a mofo ......cheiro inusitado
cheiro a lágrimas paridas num surdo olhar nauseado
no caixão serena e triste de cara tapada o corpo já não existe
a alma.....alguém pensaria nela.....eu não pensava...
a cabeça morria em lágrimas em susto..carrilhonava
ao som do carrilhão...e do sermão.
.a mãe segurava a menina pela mão e chorava.
a menina impavidamente...... olhava....
e seguiu o povo atrás do caixão...sem amor...... frio ..
segui também ....avancei até á cova ...
chorava muito agora ...queria sair dali ...deixei-a.. a ela ...abri caminho
doía... a morte...... o vazio ..aquele frio vindo do norte
.deixei de ver a menina a mãe largou-lhe a mão não lhe mostrou a cova...

Margarida Cimbolini

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