,,ABIS ..MADA,,


ABIS
,,MADA

eivada de intuições desconhecidas
tento colorir imagens em papiros
tão finos que neles as cores flutuam
tento então escrever na água
e se afundam as minhas letras

Donde terei saído
para assim pôr meus filhos em perigo
que orações terei de fazer
para de mim me despedir
já que viver não consigo
será outra a minha raça
terei vindo de outro mundo
tudo aqui me aparece estranho e fundo
escuto no alto de um penedo o rugir do vento
e faz-me sentido
mas fujo das gentes sua linguagem crua
como que me bate
se eu fosse pedra da rua
conheceria quem me pisasse
assim
só e nua
rogo ao abismo que de mim se afaste.
Margarida Cimbolini

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