OS ABUTRES

OS ABUTRES

circulam por sobre as vítimas
com pés de veludo
e penas macias
tem aduncos bicos e garras afiadas

as presas frágeis vivem ainda
sentem os adejares ligeiros
e os barulhos suaves
e agrados sentem,,,são sombras
,,frescas no Sol,,
com suas asas negras abertas
,,como leques de viúvas
são boa companhia para quem
,,se sente só

as vítimas começam a ama-los

no ar
sentindo o cheiro de sangue fresco
soltam pequenos gritos lancinantes
que embaixo soam como odes de coragem
perto do fim abrem ainda os olhos tristes






os abutres dão-lhes sôfregas bicadas
,,quais beijos de amor

por fim entregam-se á sua sorte
e são devoradas aos pedaços

As peles e os ossos secas ao Sol,,
,,são ainda pasto farto para os escaravelhos e as formigas

que vivem das sobras dos predadores por entre as fendas da terra.   


margarida cimbolini

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