SINOS DO SILÊNCIO


SINOS DO SILÊNCIO

inesperadas
lágrimas vieram
já sem água
correm
mais uma vez a dimensão de ser
me assusta
receio a minha singular idade
inconstância ressoa dentro
encontro -me comigo a cada esquina
e sou pequena demais
a grandeza do deserto
deixou o meu mundo pequeno
e a minha alma frágil
tombam as bandeiras que hasteei

.Achei o poeta
velho enrugado...
a senil idade espreita
o mestre é quase criança
mais
as crianças não
ao se reconhecem
e o tempo faz-me medo
não diz que vem
e terrível cruel
impugna a minha sanidade

impotente
encolho-me num canto
talvez o tempo me esqueça

mas nas rugas no grito dos olhos do poeta
,,não poderei esquecer o tempo....

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