ABRAÇOS
ABRAÇOS
não tem a pele segredos
não tem o corpo enredos
nem o mar a bater nos rochedos
corta escarpas assim
não são farpas
são pregos são estacas
são coros
espirituais negros
que gritam por mim
que vivem em eus que não lembro
mas que me queimam fervendo
que batem
enxugam minhas lágrimas
tocando num crescendo
e riem
em veredas em matas
rogando pragas ao sofrimento
abrindo notas moendo os retalhos
do meu povo triste
que doente nas cidades
ainda resiste
e são muitos com receitas de ternura
repartindo uma esperança ainda viva
que por ou mal ou por bem ainda existe
ruas da minha cidade
ruas feitas de amargura
que marcaram com ferro em brasa
este corpo que nasceu feito em mármore
e que defendo com alma aberta e armas em riste
Deliro e morro neste abraço onde me abraço beijando meu seio triste
Margarida Cimbolini



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