FADO
Fado
Por vezes me sinto maldita
que eterna e louca desdita
me provoca lágrimas de sangue
sangue do meu sangue
que me arranca sangue
me come bocados
Sangue que me suga a energia
onde tanta revolta me arrepia
onde esqueço amor vida poesia
onde não sou mais que ave ferida
e tanto amargor tanta guerra e desamor
tão grande tão louca a minha dor
até meu verso vem molhado
que nunca maior breu tinha provado
e confusa sem rumo e aflita
procuro dentro de mim laço ou fita
que me cole bocado a bocado
que me una de novo e outra vez
que arrede de mim este meu estado
que me faça ver luz lá no Ocaso
pois que nesta amarga embriaguez
ser poeta tomar nestas mãos esse meu fado
torne este meu corpo ainda mais alado
e me traga essa coragem de que sempre me fez
Margarida Cimbolini.



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