ESCALDAM AS MADRUGADAS
Escaldam as madrugadas
lenta receosa escrevo devagar
as palavras desapareceram
fui buscar o passado
enredei-me numa teia pegajosa
nada faz sentido
as letras recusam falar
os dedos tropeçam no ontem
não consigo ouvir os cucos
Escaldam as madrugadas
memórias inflamam os caminhos
acesos por mais labaredas
onda do mar que seguiu outro rumo
é gaz mais leve que o ar
e corta a respiração
espalhando-se na impotência maior
redenção eterna
é imensa a fragilidade do ser
margarida cimbolini



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