SEM FIM
SEM FIM
cavo o abismo nos teus silêncios
longos silêncios vazios
onde adormeço
adormeço de sonos pesados
mergulhando no teu sono
vens tarde de grandes olhos abertos
retinas magoadas e doentes
nem alegres nem tristes
paradas na língua morta de quem não sente
onde está o fogo com que me beijavas
e os dentes que mordiam os meus lábios
ainda húmidos de outros beijos
agora os teus passos são incertos
passam em cima dos meus
são os laços que nos prendem
as sombras onde me deixei tombar
cortam-me agora os passos
são esses os passos os laços os gumes
os cumes das minhas noites insones
onde vejo a vida passar
e escrevo versos escondendo-me neles
como nos terços se escondem os dedos p´ra rezar
Margarida Cimbolini.



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