MORDAÇAS


mordaças

dormiram tuas mãos nos meus seios
e eu nos teus braços num enleio
de novo nossos corpos em maré
de novo as areias de permeio
de novo o mais seco dos desertos
e os beijos mais doces e sentidos
e as mãos apertadas sem receio
e os corpos num encaixe tão preciso
Nesta ternura vazia de asas
neste amor calado
há força amordaçado
pois que amordaçado te sinto
e amordaçada me minto
as palavras
do poema o cimento
do poeta a massa o tijolo o alimento
do amor a alegria o contento
mas que fogem ´´d´´entre nós
cortando ao pão esse fermento
as palavras que se não disseram
hão-de por força ficar penduradas
e se ditas seriam talvez esquecidas perdoadas
serão paredes de granito erguidas
e entre nós linhas esticadas,,,,grito,,,.
feridas entreabertas mal fechadas
pontas sempre inacabadas soltas e arreigadas
de um amor que sendo amor nunca foi dito

Margarida Cimbolini

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